"A COMUNHÃO DO CRISTO"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur
P – Os ensinos do CEU da LBV, no capítulo em exame, parece ter relação com o chamado “sacrifício da eucaristia”. Que diz a isso o Espírito da Verdade?

R – Sim, mas nunca no sentido que lhe poderia dar a igreja humana. Não admitais que o corpo do homem possa servir de morada, nem eterna, nem temporária, à Divindade, como pretende a igreja romana, cujos erros provieram todos da falsa interpretação das Sagradas Escrituras; pois sempre as compreendeu segundo a letra, jamais segundo o espírito. Não admitais que “corpo e o sangue reais do Salvador” (expressões do romanismo) se possam EQUIPARAR AOS ALIMENTOS HUMANOS E FICAR, DESSE MODO, SUJEITOS AS LEIS DA DIGESTÃO NO CORPO DO HOMEM! Não admitais que o perispírito tangível, do que Jesus se revestiu temporariamente, atendendo às exigências e à duração da sua missão terrena, vaso precioso que continha uma essência ainda mais preciosa, formada de fluidos que – na chamada hora da ascensão – foram restituídos aos meios de onde haviam sido tirados, possa estar submetido àquelas leis! NÃO ADMITAIS QUE O ESPÍRITO DE JESUS ESSÊNCIA PERFEITA, DE PUREZA IMACULADA, FAÇA DO CORPO HUMANO A SUA HABITAÇÃO! A comunhão do Cristo, simbolizada pela ceia, como vos explicaremos quando chegar a ocasião, foi o último e solene apelo feito por ele em prol da fraternidade contida em seu Novo Mandamento. A comunhão dos discípulos era uma lembrança simbólica daquela outra comunhão. Cristãos de todas as correntes, aprendei o que ensina a Nova Revelação que Deus vos manda e que vos trazemos em nome de Jesus: PARA O ESPÍRITO DEVE SER TUDO ESPIRITUAL, O HOMEM RECEBE “O CORPO E O SANGUE” DE JESUS APENAS SIMBOLICAMENTE, POIS REPRESENTAM O SEU EVANGELHO, A SUA DOUTRINA DE SALVAÇÃO, O CORPO PARA ALIMENTAR-LHE A ALMA, O SANGUE PARA LAVA-LA DE SUAS IMPUREZAS, MAS A MATÉRIA NÃO PARTICIPA, DE MODO ALGUM, DESSE SACRIFÍCIO! Que tomeis as vossas refeições antes ou depois do “sacrifício”, pouco importa. Das superfluidades humanas é que cumpre vos abstenhais, antes do ato da “comunhão”, que deverá simbolicamente aproximar o vosso Espírito do Redentor que, fazendo a sua aparição na Terra, se abaixou até vós para vos elevar. Praticai, sim, esta abstinência! Com o intuito de vos preparardes para essa festa de família, imponde-vos algumas privações, que possam redundar em proveito – tanto material quanto moral e intelectual – de vossos irmãos. IMPONDE-VOS MORTIFICAÇÕES MORAIS; CONVIDAI PARA A CEIA DO NOVO MANDAMENTO AQUELES QUE SE HOUVEREM AFASTADO DE VÓS OU DE QUEM VOS HOUVERDES AFASTADO. CONVIDAI-OS PELO PENSAMENTO, NA ORAÇÃO, SE NÃO O PUDERDES FAZER DE OUTRA MANEIRA PERDOANDO-LHES DE CORAÇÃO AS OFENSAS E TOMANDO A RESOLUÇÃO IRREVOGÁVEL DE NÃO GUARDAR QUEIXA ALGUMA DE TODOS OS ELES. Praticai a ceia do senhor espiritualmente, em comum, como os apóstolos sempre realizaram, até a época em que as paixões e os maus instintos forçaram a mudança, determinando a instituição da comunhão aparente, pois QUEM SE APROXIMA DA MESA DO MESTRE LEVANDO NO CORAÇAO UM SENTIMENTO MAU INCORRE  NO CRIME DE TRAIÇÃO DE JUDAS ISCARIOTES. RESTAURAI A CEIA DO NOVO MANDAMENTO, CONVIDANDO OS IRMÃOS DE TODAS AS CRENÇAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS, POIS SÓ ASSIM CUMPRIREIS A ORDEM DO CRISTO, FORMANDO UM SÓ REBANHO PARA UM SÓ PASTOR!
"O ESPÍRITO ACIMA DA LETRA"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur

P – As explicações do CEU da LBV libertam da letra que mata, o espírito que vivifica. Como o Espírito da Verdade interpreta a expressão “lugares áridos” de Jesus?
R – É o que consta do versículo 43 de Mateus e 24 de Lucas, no capítulo em estudo. Os “lugares áridos”, por onde erra o Espírito impuro (o Espírito mau) sem encontrar abrigo, são os homens purificados, que não lhes dão entrada às sugestões.

P – “Busca repouso e não o encontra”. Qual o sentido oculto dessas palavras.
R – O Espírito mau busca UMA OCUPAÇÃO CONDIZENTE COM SEUS INSTINTOS, TENDÊNCIAS OU CAPRICHOS. Jesus, não o esqueçais, falava aos judeus, e os judeus acreditavam que o Espírito imundo, habitava no homem subjugado. O Mestre os deixava nessa crença, para que a possessão lhes inspirasse horror ainda maior. Ora, falando para ser compreendido por aqueles homens, era natural que lhes figurasse o Espírito impuro a procurar repouso nos lugares áridos sem o encontrar, isto é, A RONDAR OS HOMENS FORTES E A ENCONTRA-LOS SURDOS ÀS SUAS INSTIGAÇÕES. Aí tendes, na altura do vosso entendimento, o espírito despojado da letra. Tentando penetrar num homem, cuja Alma se ache bem guardada, e não o conseguindo, sendo forçado a afastar-se sem ver lugar para seu repouso – aí tendes a lição na altura do entendimento dos judeus a quem o Cristo falava.

P – Como devemos entender o versículo 44 de Mateus e mais os 24 e 25 de Lucas?
R – Aquele que, embora por pouco tempo, expurga a Alma de seus maus pendores, dá imediato acesso aos SENTIMENTOS BONS, QUE SE OPÕEM AOS MAUS INSTINTOS; AS VIRTUDES SÃO O ORNAMENTO DA ALMA. É preciso que, quando o Espírito mau queira voltar para a casa de onde saiu, a encontre limpa e ornada. Nutrindo sentimentos de real pureza, conservai vossa Alma sempre inacessível aos maus instintos e às seduções da treva. Ornai-a de virtudes, para que o Senhor nela encontre morada digna dele, para que lhe seja grato ampliar cada vez mais o vosso progresso, moral e intelectual, concedendo-vos a assistência dos Bons Espíritos, cujo amparo conseguireis com a vossa perseverança na fé.


"O ASSÉDIO INCESSANTE DA TREVA"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur

P – Queremos debater, em nosso Posto Familiar, o caso do Espírito imundo que volta à sua residência. Como o Espírito da Verdade interpreta essa passagem, pelo CEU da LBV?
R – Harmonizemos Mateus, XII: 43-45 com Lucas, XI: 24-26.
MATEUS: 43 – Quando o Espírito impuro sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso, e não o encontra.  44 – Diz, então: “Voltarei para a casa de onde saí”. E, voltando, a encontra vazia, limpa e ornada. 45 – Então parte de novo, arrebanha sete outros Espíritos ainda piores do que ele, entram todos na casa e passam a habitá-la. Ora, o último estado do homem fica sendo pior que o anterior. Assim acontecerá com esta geração criminosa.
LUCAS: 24 – Quando o Espírito imundo sai de um homem, anda por lugares áridos, em busca de repouso. E, não o encontrando, diz: “Voltarei para a casa de onde saí”. 25 – Voltando, ele a encontra varrida e ornamentada. 26 – Vai-se, então, de novo, reúne outros sete espíritos mais impuros do que ele, e entram todos na casa e lá se instalam. E o último estado do homem fica sendo pior que o de antes. 27 – Ora, sucedeu que quando Jesus dizia essas coisas, uma mulher, elevando a voz do meio do povo, lhe disse: “Feliz é o ventre que te trouxe ao mundo! Bem-aventurados os seios que te amamentaram!” 28 – Jesus, porém, respondeu: “Felizes e bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a praticam!”
Jesus fazia ver aos homens que lhes cumpria estar sempre em guarda contra as más paixões que, repelidas a princípio facilmente, voltam depois com mais força e maior tenacidade. Tomai, se quiserdes, por símbolo das más paixões os “Espíritos imundos” do Evangelho, os maus Espíritos cuja influência vos ensinamos a evitar. Aquele que, fraco de Espírito, cede com facilidade às más inspirações, por serem más as suas tendências, oporá – tomando boas resoluções – sério obstáculo aos esforços que empreguem os Espíritos malfazejos, no sentido de o arrastarem para o mal. O Espírito que o influenciava se afasta, e vai em busca de alguma outra inteligência que lhe seja mais fácil impressionar, A FIM DE SE APODERAR DELA, TENDO SEMPRE, PORÉM, DEBAIXO DAS VISTAS, AQUELE SOBRE QUEM EXERCIA SUA AÇÃO FUNESTA E QUE FORA OBRIGADO A ABANDONAR. Ora, ao notar da parte deste um descuido, por menor que seja, um relaxamento das boas resoluções, volta prontamente a se apossar da sua antiga vítima. Se encontrar resistência, não podendo esta ser muito forte, pois não nasce de um sentimento realmente puro, ELE SE OBSTINARÁ E, SE FOR PRECISO, CHAMARÁ EM SEU AUXÍLIO OS ESPÍRITOS INFERIORES QUE O CERCAM, SEMPRE DISPOSTOS AO MAL. Todavia, não concluais das nossas palavras que todas as vossas ações más, todos os vossos maus pensamentos sejam resultado de uma influência oculta. SE EM VÓS NÃO EXISTIR O GERME DO MAL, NÃO ATRAIREIS OS ESPÍRITOS DO MAL. As vossas tendências, boas ou más, é que determinam a ordem dos Espíritos que virão grupar-se em torno de vós. Os que simpatizarem com os vossos pendores certamente vos cercarão. VIGIAI, PORTANTO, PORQUE O ASSÉDIO DA TREVA É INCESSANTE. Policiai, a todo instante, os vossos pensamentos mais secretos; varrei cuidadosamente a vossa casa; purificai a vossa Alma e montai guarda à porta do santuário, a fim de impedirdes a aproximação dos que não sejam dignos de penetrar nele! COMO ORDENA JESUS: VIGIAI E ORAI, ORAI E VIGIAI!


"JONAS, NÍNIVE E A RAINHA DE SABÁ"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur

P – Só mesmo o Evangelho em Espírito e Verdade, à luz do Novo Mandamento, aclara todas as dúvidas dos homens! Como vemos, até hoje as igrejas humanas explicam na base do milagre a “ressurreição” e a “ascensão” de Jesus! Que diz a isto o Espírito da Verdade?

R – Evidentemente, a ressurreição e a ascensão de Jesus só se explicam pela revelação que vos trouxemos da origem do Cristo, do seu corpo fluídico (ou perispírito tangível) que ele tornou, com a forma ou aparência do corpo humano. Entretanto, os homens daquela época, presenciando a “ascensão”, O QUE VIRAM FOI UM CORPO, FEITO DE MATÉRIA IMPURA, ELEVAR-SE POR SI MESMO, PARA IR INSTALAR-SE LÁ ONDE TUDO É ESPIRITUAL. Bem mais sensível era o milagre para os homens de então. Foi, por assim dizer, essa impossibilidade da reunião da matéria com a espiritualidade que preparou a vossa era. Foi ela que, da crença nos milagres, afastou os pensadores. Tão concebível se lhes patenteou aquela reunião que ELES PROCURARAM UMA EXPLICAÇÃO POSSÍVEL PARA O FATO E ACABARAM NEGANDO-O POR NÃO PODEREM ACREDITAR NELE. Todos, porém, hão de aceitar a explicação simples, racional e irrefutável, da tangibilidade conferida ao perispírito do Mestre. Roto o véu, compreendeis agora que Jesus, desde o momento em que não quis mais conservar aquela tangibilidade, haja – sob a aparência do corpo humano – mantido a sua essência etérea; haja podido sair do sepulcro sem arrombamento, não ficando nele fragmento algum do corpo; haja podido apresentar-se a muitas pessoas em diversos lugares e retomar a tangibilidade, quando isso foi preciso; haja, finalmente, voltado à plenitude das suas faculdades espirituais quando, elevando-se na presença de seus discípulos, voltou para as regiões etéreas de onde se exilara voluntariamente, PARA VÓS CONVENCER E VOS SALVAR DE VÓS MESMOS. Dizendo o que consta dos versículos 41 e 42 de Mateus, 31 e 32 de Lucas, tinha o Cristo a intenção de – como sempre – ferir a imaginação dos hebreus por meio de um paralelo entre a época das Escrituras e aquela em que ele falava. Com relação aos habitantes de Nínive – está bem claro que a comparação não era possível e não foi feita por Jesus senão com os que haviam tirado proveito da pregação de Jonas, permanecendo na via do Senhor, depois de terem ingressado nela, COM OS QUE A RECEBERAM, E PARA LOGO A ESQUECERAM, NÃO SERIA POSSÍVEL ESTABELECER COMPARAÇÃO ALGUMA. Com relação à Rainha de Sabá – Ela viera das montanhas do Líbano, as quais – para os judeus daquele tempo – ficavam nos confins da terra, a fim de ouvir o Rei Salomão, cuja grande reputação de sabedoria a atraíra. Depois de conversar com ele, ouvindo longamente as suas palavras, disse a Rainha do Sul: “Bem maiores que a fama, que chegou até mim, são a tua sabedoria e as tuas obras! Felizes são os que te pertencem! Felizes são os teus servos, que estão sempre na tua presença e escutam as palavras da tua sabedoria! Bendito seja o Senhor teu Deus, que te dispensou as suas complacências, que te colocou no trono de Israel e te fez Rei, para reinares com equidade e distribuíres a justiça!” Os Ninivitas que, aproveitando a pregação de Jonas, entraram e permaneceram na via do Senhor e a rainha de Sabá que, cedendo à inspiração que recebera, reconheceu a grandeza de Deus e a sabedoria daquele a quem fizeram Rei, ERAM A CONDENAÇÃO DOS HEBREUS, QUE RESISTIAM A TODOS OS ESFORÇOS DE JESUS PARA OS RECONDUZIR AO BOM CAMINHO. Depois de aludir às escrituras, comparando o que elas narram com o que se passava em torno de si, Jesus chamou a atenção dos homens para a superioridade da sua missão (superioridade que só a Nova Revelação pode apresentar em Espírito e Verdade) e para a culpabilidade dos que se rebelavam contra suas palavras e seus exemplos, dizendo: “AQUI ESTÁ QUEM É MAIOR DO QUE JONAS: AQUI ESTÁ QUEM É MAIOR DO QUE SALOMÃO”. Salomão e Jonas eram Espíritos em missão, mas de ordem inferior. Seria admissível que Jesus se equiparasse a qualquer dos dois sendo ele O CRISTO DE DEUS, O ÚNICO REPRESENTANTE DO SENHOR NA TERRA, O MESTRE, REI DO VOSSO PLANETA E DA SUA HUMANIDADE? HOJE COMPREENDEIS TUDO ISSO FACILMENTE, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO.
"O “MILAGRE” DE JONAS"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur

P – A passagem do “milagre” de Jonas tem sido causa de muita controvérsia. Como a explica, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?
R – Vejamos o Evangelho segundo Mateus, XII: 38-42, e segundo Lucas, XI: 29-32.
MATEUS: 38 – Então, alguns dos escribas e fariseus lhe disseram: “Mestre, queremos ver um milagre feito por ti”. 39 – Jesus lhes respondeu: “Esta geração adúltera e má pede um milagre, mas nenhum outro lhe será dado senão o do Profeta Jonas. 40 – Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, também o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra. 41 – Os Ninivitas, no dia do juízo, se levantarão contra esta geração para condená-la, pois eles fizeram penitência ao ouvirem a pregação de Jonas: e aqui está quem é maior do que Jonas. 42 – A rainha do Sul se levantará, no dia do juízo, contra esta geração e a condenará, pois veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria do rei Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão.
LUCAS: 29 – Disse, então, à turba que o cercava: “Esta geração perversa me pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado senão o do Profeta Jonas. 30 – Assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração. 31 – A rainha do Sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará, pois veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui quem é maior do que Salomão. 32 – Os ninivitas se levantarão, no juízo, contra esta geração para condená-la, pois se arrependeram ouvindo a pregação de Jonas; e eis aqui está quem é maior do que Salomão”.
Aquela geração, que repelia todos os esforços empregados para conduzi-la ao caminho do Bem, era má e adúltera: ADÚLTERA NO SENTIDO DE DESPREZAR A FÉ NO SEU DEUS PARA SE ENTREGAR ÀS PRÁTICAS MATERIAIS LAMENTÁVEIS. Não é este o lugar de vos explicarmos como se deu o que os homens consideraram a passagem de Jesus da vida material para a morte e a sua volta a vida espiritual. Respondei-nos, porém: - Sua ressurreição depois de três dias e três noites de morte aparente, mas considerada real pelo vulgo – não constitui um milagre, idêntico ao que se atribui a Jonas? Dizemos “que se atribui” a Jonas porque o fato, que com ele se deu, foi referido aos hebreus ampliado, comentado e desnaturado. Houve, da parte do narrador, erro e falsa interpretação quando disse “que Jonas fora atirado ao mar; que Deus preparara um peixe imenso para engolir o profeta; que este passou três dias e três noites dentro de tal peixe; que o Senhor falou ao peixe e que este pela boca deitou Jonas na praia”. JONAS NÃO FOI LANÇADO AO MAR: ESTEVE, SIM, TRÊS DIAS E TRÊS NOITES A FERROS NO FUNDO DO NAVIO QUE O LEVAVA.  Um devotado marinheiro tirou-o de lá e o trouxe; num bote, até à praia, onde o deixou. Salvou-o, portanto, a dedicação de um homem – que serviu de instrumento à Divina Providência – o qual, por influência e inspiração espirituais, cumpriu a vontade de Deus, libertando Jonas das cadeias que o prendiam, trazendo-o num bote do navio e deixando-o na praia. A credulidade e a atração que exerce no homem tudo o que revista a auréola do maravilhoso deram origem à crença num acontecimento sobrenatural, isto é, num milagre. ENTRETANTO, O GRANDE PEIXE OUTRO NÃO ERA SENÃO O NAVIO A CUJO BORDO ESTAVA JONAS: A BOCA NADA MAIS ERA QUE O BOTE, QUE DEIXOU O PROFETA NA PRAIA. Dizendo “Assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim também o Filho do Homem o será para esta geração". Jesus se colocava – como sempre – no ponto de vista das crenças humanas, relativamente a Jonas e a si próprio. O profeta que era um homem igual aos demais, foi tido pelos habitantes de Nínive como um ENTE EXCEPCIONAL DA RAÇA HUMANA, visto que pudera viver dentro de um peixe e sair, são e salvo, depois de haver passado ali três dias e três noites. Para o vulgo, e mesmo para os discípulos, Jesus era um homem igual aos outros, com um corpo de carne e ossos, exatamente como os corpos deles. Em tais condições, sua ressurreição e sua ascensão não podiam ser mais compreensíveis nem menos milagrosos do que a volta de Jonas. Mas vós, que conheceis as causas e compreendeis os efeitos, não podeis ver na ressurreição e na ascensão de Jesus mais do que uma consequência da sua missão e da sua organização fluídica. SIM, NÃO HÁ MILAGRE NO SENTIDO QUE LHE DÁ A IGREJA HUMANA, COM DERROGAÇÃO DAS LEIS IMUTÁVEIS QUE DEUS ESTABELECEU PARA TODA A ETERNIDADE.


"RAÇA DE VÍBORAS"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur

P – Finalizando o estudo que fazemos, na Cruzada do Novo Mandamento no Lar, concentramos nossa atenção nos versículos 33 de Mateus, sobre os frutos da árvore; 24 e 25, também de Mateus, sobre “raça de víboras”; 36 e 37, ainda no Evangelho de Jesus segundo Mateus, sobre  "palavras ociosas". Como explica tudo isso o Espírito da Verdade?
                                                                                                                      R – Versículo 33 de Mateus: “Se uma árvore for boa, seu fruto será bom; se for má, seu fruto será mau: pelos frutos é que se conhece a árvore”. Por estas palavras, dirigidas aos discípulos, JESUS LHES ENSINAVA A CONHECER OS HOMENS. Sem dúvida, o homem de maus instintos praticará más ações. Mas, se o virdes esforçar-se por fazer o Bem, por cumprir os deveres que a consciência lhe impõe, podeis dizer que a árvore é boa. E ficai certos de que, se for cultivada, com as lições do Evangelho e do Apocalipse, melhor ainda se tornará. Versículos 24 e 25: “Raça de víboras, como podeis, sendo maus, dizer coisas boas, se a boca fala aquilo de que está cheio o coração? O homem bom tira boas coisas de bom tesouro e o homem mau tira coisas más de mau tesouro”. Pelos termos RAÇAS DE VÍBORAS, apropriados aos tempos e aos homens, JESUS DESIGNAVA AQUELA RAÇA DE ESPÍRITOS INFERIORES E ORGULHOSOS, QUE ACREDITAVAM PODER ALCANÇAR, SEM SOCORRO, A MORADA CELESTE, E QUE NÃO QUERIAM RECEBER LUZ ALGUMA. A palavra emerge do coração, quando exprime abertamente a maneira de pensar. Mas, se oculta o pensamento, ou lhe dá a aparência da doçura, sendo ele agressivo, então a palavra é mentirosa, hipócrita e má. Por isso é que Jesus perguntava aos fariseus: “Como é que, sendo maus, podeis dizer coisas boas?” As palavras saem do tesouro do coração. Se o tesouro é mau, também más serão as palavras e ações, quer as primeiras exprimam abertamente a maneira de pensar, quer sirvam de disfarce à mentira, à hipocrisia  ou à maldade. Versículos 36 e 37: “Ora, eu vos digo que os homens, no dia do julgamento, darão contas de toda palavra ociosa que houverem proferido. Porque sereis justificados pelas vossas palavras e pelas vossas palavras sereis condenados”. As traduções preferiram os termos: ociosa e inútil para – dando maior extensão ao texto – fazerem que as palavras do Mestre ABRANGESSEM A TODOS E NÃO SOMENTE AOS BLASFEMADORES. Essa alteração do original teve por efeito reprimir os costumes e por um freio ao deboche dos inimigos do Evangelho. Estendendo a sentença do Cristo até às palavras ociosas, restringia a linguagem aos limites do justo e do necessário. Sendo mister coibir as conversações mais que levianas, capazes de desviar as inteligências do fim elevado que se lhes propunha, necessário era que se batesse com força para atingir esse objetivo. O DIA DO JUGAMENTO, em que os homens prestarão contas, é aquele em que o Espírito culpado, após a morte, faz uma introspecção, observa a sua passada existência, suas faltas ou crimes e, TOCADO PELO ARREPENDIMENTO, FUSTIGADO PELO REMORSO, SOFRE A EXPIAÇÃO, INEVITAVELMENTE SEGUIDA DA NECESSIDADE DE REENCARNAR. E ISSO EXPLICA A ADVERTÊNCIA DE JESUS: NÃO SAIRÁS DA PRISÃO (O CORPO MATERIAL) ATÉ PAGARES O ÚLTIMO CEITIL.


"A JUSTIÇA PERFEITA DE DEUS"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur

P – Não podia ser mais feliz e edificante a explicação do capítulo em exame. Uma pergunta, ainda, queremos formular ao Espírito da Verdade: - Pode haver Espírito eternamente culpado?
R – Quando Jesus falava (ou os Evangelhos falavam, em suas narrativas) em ESPÍRITO SANTO, esta expressão, como sabeis, designava os Espíritos Puros, ou Espíritos Superiores, os Bons Espíritos, que desempenham junto dos homens as funções de órgãos do Senhor, de seus ministros, mensageiros ou agentes, de acordo com o grau de elevação de cada um. Servindo-se da expressão ESPÍRITO SANTO, QUANDO TRATOU DA BLASFÊMIA CONTRA DEUS, Jesus o fez porque, como também já o dissemos, os judeus entendiam por Espírito Santo a inteligência mesma de Deus. Em última análise, tudo vem a dar no mesmo, num caso e noutro, por isso que OS ESPÍRITOS DE LUZ NADA MAIS SÃO QUE O REFLEXO DA VONTADE DO SENHOR ONIPOTENTE. O homem que blasfema contra Deus é um rebelde às inspirações do seu Anjo da Guarda e dos Bons Espíritos; incorre em culpa grave e não obtém perdão ENQUANTO PERMANECE CULPADO E REBELDE: PORTANTO, A ETERNIDADE DO CASTIGO CORRESPONDE A ETERNIDADE DA FALTA. Se o Espírito permanecesse eternamente rebelde, seria réu de delito eterno; jamais obteria perdão na eternidade, nem além dela (para nos servirmos das expressões bíblicas). Mas não é nem pode ser assim. Por efeito da onipotência, da justiça, da bondade e da misericórdia infinitas do Senhor, e de acordo com a promessa que Jesus fez, em nome do Pai, e com o que disse na “Parábola do Filho Pródigo”: MEU PAI NÃO QUER QUE PEREÇA NENHUM DESTES PEQUENINOS – VIM SALVAR O QUE ESTAVA PERDIDO, SEDE PERFEITOS COMO É PERFEITO O PAI QUE ESTÁ NO CÉU”, não há Espírito culpado e rebelde que, no curso da Eternidade que se desdobra diante de si, não experimente o influxo das Leis Imutáveis do progresso e da perfectibilidade, do sofrimento e da expiação. Não há Espírito que, usando de seu livre arbítrio, sob a ação de sua consciência, presa do remorso e do arrependimento, auxiliando na erraticidade pelos sofrimentos ou torturas morais adequados e proporcionados aos crimes e faltas cometidos, iluminado pelas provações e expiações, deixe – com o tempo e mediante a reencarnação – de voltar ao aprisco, assim como a ovelha tresmalhada; de voltar à casa paterna, como o filho pródigo, arrependido e submisso. É assim a justiça perfeita de Deus: NINGUÉM HÁ QUE, PURIFICADO, NÃO VENHA A SER, UM DIA, ACOLHIDO PELO PAI DE FAMÍLIA, PELO SENHOR ONIPOTENTE, DE INFINITA MISERICÓRDIA!