"MORTE E CATALEPSIA"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur


O Espírito não abandonara o seu corpo: apenas se ausentara, até que JESUS O CHAMOU, ordenando-lhe a volta imediata ao organismo da menina, Ele tivera permissão de prolongar sua ausência a fim de que o corpo tornando-se completamente inerte, apresentasse TODAS AS APARÊNCIAS DA MORTE. Para os homens, a filha de Jairo estava morta: esta era a aparência. Aos olhos de todos, a morte ali era positiva e indubitável. Na realidade, porém, NÃO HAVIA MAIS DO QUE UM ESTADO DE CATALEPSIA COMPLETA, um estado, portanto, de morte aparente, do modo a iludir os mais hábeis peritos. Havia, dissemos, inércia completa, isso é, suspensão de todas as sensações, de todos os movimentos, da vida em suma, com ausência de pulso, de respiração, de calor: aspecto cadavérico, insensibilidade física, material, tão profunda que as pancadas, mais ferimentos, NENHUMA IMPRESSÃO PROVOCARIAM NENHUMA CONTRAÇÃO, NENHUM SINAL DE VIDA. Vindo ao encontro de Jairo, seus servos lhe disse: “Tua filha morreu”. Mas ao que choravam e faziam grande alarido, Jesus disse: “Por que choras e vos afligis? A menina não está morta, apenas dorme”. Aos tocadores de flauta e as pessoas que faziam grande algazarra, falou: “Retirai-vos, pois a menina apenas dorme, não está morta.” E todos, diz o Evangelho, zombavam de Jesus, POR SABEREM QUE ELA ESTAVA MORTA. Ora, afastada a multidão, ele ordenou à menina: “Levanta-te!” E seu Espírito (ou Alma) – tendo voltado ao corpo, uma vez que ela não estava morta, pois apenas dormia – a menina se levantou imediatamente. “A menina não está morta – disse Jesus – apenas dorme” – esta é a realidade. Não havia ali, com efeito mais do que sono, sono natural ordinário o que não deveis ter dificuldade em compreender, pois sabeis que A AUSÊNCIA DO ESPÍRITO MERGULHA O CORPO NUM SONO PROFUNDO PELO DESPRENDIMENTO COMPLETO DO ESPÍRITO SE PRODUZ O ESTADO DE CATALEPSIA. Ao Espírito da filha de Jairo fora permitido ausentar-se, já o dissemos. Ele tivera uma permissão, não recebera uma ordem, porquanto. O ESPÍRITO NÃO PRECISA DE ORDEM PARA SE DESPRENDER DO CORPO; PRECISA, SIM, PARA ENTRAR NELE. O pássaro que se evade da gaiola apertada, onde definhava, não deseja voltar para a prisão. Procurai compreender, aqui, a posição do Espírito, considerando os atos humanos: o soldado que obtém uma licença qualquer sabe a que horas ela termina. Com mais forte razão, o mesmo se dá com o Espírito em condições semelhantes. Se o Espírito da filha de Jairo tivesse esquecido a volta, ou resistindo ao progresso, os Espíritos Superiores que o cercavam (vigilantes para que a ausência prolongasse pelo tempo necessário à realização, exata integral, da obra que Jesus tencionava realizar), certamente o teriam impedido de frustrar por essa forma. à execução do intento do Mestre. Aliás, semelhante resistência seria uma rebelião que de modo algum se verificaria contra a vontade do Cristo, acrescentando que aquele Espírito não podia pensar em tal. UMA VEZ QUE ACEITARA A MISSÃO QUE DESEMPENHOU. O estado de catalepsia em que a menina caiu é que deu causa à crença na morte real, e portanto numa “ressurreição”, no sentido que entre os homens esta palavra tem, se produziu porque estava nos desígnios do Senhor, que assim acontece PARA CUMPRIMENTO DA MISSÃO DE JESUS e para que desse os frutos que devia dar, naquele momento e no futuro, tudo o que, assinalou a passagem do Cristo pela Terra fora previsto e preparado, mediante as encarnações dos Espíritos que haviam de concorrer para a execução da sua obra de emissário do Senhor. Supondes que Deus possa esperar alguma coisa do que chamais EFEITOS DO ACASO? Repetimos, portanto: o Espírito da filha de Jairo não abandonara o corpo. Completamente desprendido deste, que estava imerso em profundo sono estava ele preso pelo cordão fluídico do perispírito, invisível aos olhos humanos. Graças a essa ligação do Espírito com o corpo, a vida neste continuava a ser mantida, mas estava suspensa pelo estado de CATALEPSIA COMPLETA, QUE DAVA AOS HOMENS A IMPRESSÃO DA MORTE REAL. Mas Jesus disse aos que o cercavam: “A menina dorme, não morreu”. Por ato da sua vontade poderosa, ele fez voltar o Espírito à sua prisão e, pela ação magnética, restituiu a saúde ao corpo da menina: assim é que houve o despertar e a mocinha foi curada. Para prender mais a atenção dos homens, mandou o Mestre que lhe dessem de comer. Quanto à presença dos tocadores de flautas, isso indica a observância de um costume hebraico, em situações como aquela. O rumor da “ressurreição” e do restabelecimento da filha de Jairo se espalhou por todo o país. Entretanto, Jesus ordenara aos pais da menina que a ninguém falassem do acontecido. A multidão, como sabeis, não entrara, pois o Mestre a deixara de fora. Qual o motivo da proibição? É que Jesus conhecia o que o futuro reservava: não queria que naquele momento, sua fama se estendesse até aos sacerdotes e levitas. O desprezo que uns e outros votavam á credulidade e a ignorância do povo os mantinha em guarda (no sentido de que NENHUM CRÉDITO LHES DAVAM) contra os fatos “milagrosos”, isto é, impossível para eles, de se produzirem e que a voz pública espalhava. Aspecto diverso, porém, tomaria o caso SE A “RESSURREIÇAO” DA FILHA DE JAIRO FOSSE ATESTADA PELO PRÓPRIO JAIRO, CHEFE DE SINAGOGA. Homem justo e estimado. Se a propósito da notícia emanada do povo, Jairo fosse interpelado, um pretexto qualquer lhe teria bastado para tapar a boca dos inquisidores. Entretanto, nada disso aconteceu: os sacerdotes e os levitas pouco se preocupavam com o que pessoalmente não lhes dizia a respeito e, sobretudo, com os falatórios do povo.
"A FILHA DE JAIRO E A HEMORROÍSSA"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur

Aí tendes a consolação de um pai; um exemplo de fé oferecido à multidão; a continuação, em suma, por parte do Cristo, daquela vida de ensinamentos no desempenho da sua missão terrena. Quanto a cura da hemorroíssa, Jesus a operou pelos meios que conheceis, pelo seu PODER MAGNÉTICO. Sempre envolto em fluidos vivificantes, o Mestre, os distribuía pelos que deles necessitavam. Quanto aos fluidos de que se serviu, para estancar o fluxo sanguíneo, ainda nada vos podemos dizer, por vos ser impossível entrar no CONHECIMENTO DAS COMBINAÇÕES FLUÍDICAS. O HOMEM AINDA NÃO SE ACHA CAPAZ DE COMPREENDER A NATUREZA DOS FLUIDOS, SEUS EFEITOS E SUAS PROPRIEDADES DE AÇÃO. Jesus dispunha dos fluidos vivificantes e reparadores: basta-vos isto, por enquanto. A pergunta “Quem me tocou?” (pergunta que, feita pelo Mestre, pode causar estranheza) ele a formulou intencionalmente, para provocar, diante da multidão, a confissão da mulher e, assim, tornar patente a todos o “milagre”. Tudo tinha a sua razão de ser, velado pela letra, até ao advento de nova Revelação.
"VINHO VELHO É MELHOR"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur


Nenhuma contradição. A Igreja que os homens fizeram tem de ser transformada, bem o sabeis, Portanto, vós – CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO – preparai os materiais que vão servir para a restauração, em Espírito e Verdade, das Leis Divinas, substituídas por preceitos humanos. Em verdade, os obreiros do Senhor, encontraram talhadas as primeiras pedras, já iniciaram a construção do edifício. O VINHO NOVO E O OBRE NOVO SE CONSERVARÃO PELA NOVA FÉ, NOVA NO SENTIDO DE QUE AVANÇARA POR ESTRADA MUITO DIVERSA DA QUE SEGUE A IGREJA HUMANA. Sim, Jesus afirmou: “Não há quem, bebendo vinho velho, prefira o novo, pois diz: o velho é melhor”. Entendei o sentido alegórico destas palavras do Cristo. Veladamente, ele se referia a era nova do Paráclito. O VINHO VELHO QUE DEVE SER PREFERIDO É O QUE JÁ SE DESPOJOU DE TODOS OS CORPOS ESTRANHOS, É AQUELE QUE, COLOCADO EM ODRES NOVOS, NESTES ENVELHECEU, TORNANDO-SE INCOMPARAVELMENTE MELHOR. Quando pois, vós outros, da nova geração, tiverdes deixado fermentar nos vossos corações os desdobramentos, que trazemos, da DOUTRINA AUTÊNTICA DO CRISTO, podereis dar a vossos irmãos, para que o saboreiem, O VINHO VELHO QUE SERÁ PREFERIDO AO RECENTE. Se é que sois odres novos, recebei o vinho novo tal como em vós o despejam os Espíritos do Senhor. Não deixeis que altere, vicie, corrompa, obstando a fermentação que vos purifica as almas de suas leveduras. Toda doutrina fora da Lei do Amor e da Caridade, que Jesus pregou e ainda manda pregar; os erros em que esforçam por vos mergulhar os cegos ou interesseiros, erros que são vinho novo adulterado, falsificado, a fermentar em alguns cérebros, enlouquecendo-os – eis o que impediria o vinho novo de envelhecer, ou o alteraria e corromperia em vós, arrastando-vos a atos de demência, Daí pois, o exemplo a vossos irmãos, PRATICANDO OS ENSINOS DOS ESPÍRITOS DO SENHOR, QUE ELES EXPLICAM EM TODA A VERDADE, SEM NENHUM SECTARISMO, A LUZ DO NOVO MANDAMENTO. Solidários, ligados sempre pelos sagrados laços da Caridade recíproca, preparai o advento do Amor Universal, o Amor tão velho quanto o Novo Mandamento do Redentor da humanidade. Então, emocionados e atraídos por esse vinho divino vossos irmãos terão a gloria de dizer: O VELHO É MELHOR, Sim, PORQUE O VELHO ESTÁ REALMENTE VELHO, EMBORA MUITOS O CONSIDEREM NOVO. POIS O QUE HOJE VOS PREGAMOS NÃO É O MESMO MANDAMENTO QUE HÁ DOIS MIL ANOS JESUS VEIO TRAZER? Que pretendemos nós senão fazer-vos voltar ao principio do Evangelho, em busca desse vinho que há dois mil anos, espera que todos o saboreiem? Ele é NOVO no sentido que está sempre atual, apropriado pela Nova Revelação, aos vos que devem conter. Ide e pregai, dizendo que, sem este NOVO MANDAMENTO, não há mais Bíblia, nem Evangelho, nem Apocalipse. ELE É A CHAVE DA VIDA E A CHAVE DA MORTE!
"A IGREJA DO CRISTO"
(Espírito da Verdade - Alziro Zarur)
O jejum moral, O ÚNICO QUE DEUS EXIGE, consiste em a criatura não se submeter, nunca, aos seus maus instintos, por mais agradável que isso lhe pareça; em infligir humilhações à natureza animal, tendo por fim o adiantamento de seus irmãos, constituindo exemplo para eles; em não se entregar a ato algum de culposa leviandade; em não se dar a excessos de qualquer natureza. NÃO JULGUEIS SEJA “MUITO PENOSO” PARA O HOMEM VIVER TRANQUILAMENTE DIANTE DE DEUS: BASTA-LHE ESTAR COM A SUA CONSCIÊNCIA EM PAZ E SATISFEITA, PARA TER A FORÇA E A SAÚDE DO CORPO. De onde provém, senão dos excessos de toda ordem a que sujeitais os vossos corpos, a degeneração das raças humanas? Que é que produz o apoucamento da inteligência do homem senão o arrojo desavergonhado das suas idéias, o desejo imoderado de saber prematuramente mais do que lhe deve ser dado? Formais uma sociedade; portanto, vivei em sociedade. Sede solidários e bons aos olhos do Pai. Não procureis o luxo material que enerva nem adquirir, desequilibradamente, a ciência que desvaira. Jesus não pretendeu impor – E NÃO IMPÔS – A OBRIGAÇÃO DO JEJUM MATERIAL. Ele disse: “O que mancha o homem não é o que lhe entra no corpo, já que isso não lhe vai ao coração e é lançado fora. O que mancha o homem é o que lhe sai do coração: são os maus pensamentos, as más palavras, as más ações, os vícios que degradam a Humanidade, AS INFRAÇÕES DA LEI DIVINA CONSIGNADA NO DECÁLOGO E NO NOVO MANDAMENTO DE JESUS, O ÚNICO REPRESENTANTE DE DEUS EM TODAS AS ÉPOCAS DA HUMANIDADE. Os mandamentos humanos relativos ao jejum material, prescrevendo a privação de alimentos ou só permitindo – em determinados dias e em determinadas épocas – certas espécies de alimentos, FORAM E SÃO INÚTEIS PARA O HOMEM DE INTELIGÊNCIA E DE CORAÇÃO. JAMAIS O SENHOR LHE IMPÔS OBEDIÊNCIA A TAIS “MANDAMENTOS”. Entretanto, tiveram sua razão de ser. A observância desses preceitos, por mais ridículos que sejam em si mesmos, foi um freio posto aos excessos da gula e da luxúria, nas épocas em que somente as leis materiais podiam dominar a matéria. Sujeitando o corpo a um regime rigoroso, elas lhe diminuíam as forças animais e, assim, se continham muitos abusos. Mantendo as prescrições materiais do jejum e da abstinência, a igreja humana se conservou contemporânea dos escribas e fariseus: impõe um fardo pesado, que já não é necessário. Não quis caminhar com a Humanidade, e hoje está distanciada desta. Mas TUDO VOLTARÁ AOS SEUS EIXOS, PORQUE DEUS ASSIM O QUER, E SUA VONTADE É IMUTÁVEL. Os versículos 16 e 17 de Mateus, 21 e 23 de Marcos, 36 e 39 de Lucas – encerram alegorias espirituais. Aos homens daquele tempo, e às gerações que se seguiram até aos vossos dias, precursores de novas Revelações, se referia Jesus quando falava da roupa velha, incapaz de receber REMENDO DE PANO NOVO; quando falava de velhos odres, dos quais o vinho novo – rebentando-os – escaparia, ficando um e outros perdidos. Quer isso dizer que AQUELES HOMENS ERAM INCAPAZES DE RECEBER, aceitar e conservar uma nova Revelação que, assim, ficava reservada para os tempos vindouros, para quando chegasse o momento de cumprir-se a sentença. A LETRA MATA, O ESPÍRITO VIVIFICA. Só a reencarnação e os séculos – expiação, reparação e progresso – poderiam preparar as inteligências e os corações de maneira a fazer deles ODRES NOVOS, CAPAZES DE CONSERVAR O VINHO NOVO. Ignorantes, materiais, obstinados nos seus preconceitos e tradições, os homens daquele tempo teriam sido esmagados pelo peso de um fardo para eles insuportável: ou alijariam dos ombros esse “fardo” ou cegariam ante o brilho de tão viva Luz. Por isso lhes convinha, primeiro, a linguagem da parábola, o regime da letra, sujeita a interpretações humanas e materiais, a fim de que os necessários esforços e as lutas constantes do pensamento PREPARASSEM O ADVENTO DO ESPÍRITO. Constituem o vinho novo os ensinos de Jesus através dos Espíritos do Senhor, que vêm dispor as coisas de modo a ter fim o mundo moral do erro e da mentira. Esses Guias Espirituais vêm explicar, tornar compreensível e desdobrar, em Espírito e Verdade, a Lei simples e sublime do Cristo, tirando da letra o espírito, libertando-a das falsas interpretações que lhe deram, e que a alteraram ou desnaturaram, impedindo-a de produzir os seus frutos. É o que significa esta frase do Mestre: “O VINHO NOVO DEVE SER POSTO EM ODRES NOVOS, PORQUE ASSIM TUDO SE CONSERVA. Os odres novos são os verdadeiros cristãos, aqueles que vivem o Novo Mandamento, que fará rebentar o odre velho, incapaz de resistir à fermentação das Novas Revelações. Sim o odre velho ainda existe em vossos dias: são aqueles que, cegos e interesseiros, bebendo em fontes impuras ou falsificadas, procuraram, procuram e procurarão entravar a Igreja do Cristo, cujo templo é o vosso planeta e a qual todos os homens serão fiéis brevemente, quando a RELIGIÃO DE DEUS estiver acima de todas as religiões dos homens.



"O QUE´É JEJUM MORAL"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur



R – O jejum moral, O ÚNICO QUE DEUS EXIGE, consiste em a criatura não se submeter, nunca, aos seus maus instintos, por mais agradável que isso lhe pareça; em infligir humilhações à natureza animal, tendo por fim o adiantamento de seus irmãos, constituindo exemplo para eles; em não se entregar a ato algum de culposa leviandade; em não se dar a excessos de qualquer natureza.
"VELHAS E NOVAS DOUTRINAS"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur


Todas as explicações cabíveis, aqui, para a compreensão do fim a que Jesus visava, com o ensinamento que ele deu de forma velada, se referem ao futuro espiritual da Humanidade. Os homens eram a roupa velha que, impensadamente remendada, teria sido destruída. Eram os odres velhos, impróprios para recipientes de um licor ativo que, fermentando, os despedaçaria. Vós, CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO, sois os odres novos em que o vinho novo é despejado abundantemente: guardai-o como preciosidade, e ele dará em vós bom produto; envelhecerá nos odres, ficará cada vez melhor, restituindo a força, a saúde e a vida aos que vierem bebê-lo. O termo “esposo”, pelo qual o Mestre se designava a si próprio, era tomado às idéias, às tradições e aos costumes hebraicos, pela consideração dispensada aos judeus que se casavam. ORA, SENDO O CHEFE DESTA DOUTRINA, QUE VOS TEM AMPARADO APESAR DE TODOS OS VOSSOS DESVIOS, Jesus era considerado como o jovem puro que depõe a coroa nupcial, a fim de assumir o governo da família que constituiu para si mesmo. OS FILHOS, OS AMIGOS DO ESPOSO, SÃO EXPRESSÕES SINÔNIMAS, INDICANDO OS QUE ERAM MAIS CAROS E MAIS LIGADOS AO ESPOSO. Procurai compreender bem, segundo o espírito que vivifica, não segundo a letra que mata, estas palavras que o Mestre dirigiu aos fariseus e aos discípulos do Batista: “Podem os filhos, os amigos do esposo jejuar, enquanto este está com eles? NÃO PODEM JEJUAR, ENQUANTO O ESPOSO ESTÁ COM ELES. Mas dias virão em que o esposo lhes será tirado; então, sim, jejuarão”. A presença de Jesus entre os discípulos os mantinha na senda que deviam trilhar: não precisavam, portanto, submeter-se a privações expiatórias. Mas o FUTURO SE DISTENDIA AOS OLHOS DO CRISTO E ELE ANTEVIA OS ABUSOS, OS TRANSVIAMENTOS QUE NÃO TARDARIAM A PERVERTER A IGREJA E SEUS FILHOS, ISTO É, A HUMANIDADE, E AQUELES QUE TOMARIAM A SI A CONTINUAÇÃO DA OBRA DOS APÓSTOLOS E DOS PRIMEIROS CRISTÃOS. Antevia, portanto, necessária a expiação como meio de reparação. E o jejum material era, entre os judeus, o emblema da expiação. O jejum de que Jesus falava – e que os homens teriam de praticar nos tempos que sucederiam o desempenho da sua missão terrena – NÃO ERA O JEJUM MATERIAL QUE OS FARISEUS E OS DISCÍPULOS DE JOÃO PRATICAVAM. JESUS ALUDIA ÀS EXPIAÇÕES A QUE OS HOMENS TERIAM DE SUBMETER-SE, PARA REPARAR AS SUAS FALTAS: ALUDIA, SIM, AO JEJUM MORAL. O jejum material constituía, entre os hebreus, um ato expiatório, destinado a reparar os erros leves da vida. Teve sua razão de ser, como explicaremos, numa época em que só as leis materiais podiam dominar a matéria. Já o JEJUM MORAL consiste no remorso das faltas graves que os homens cometem, todos os dias, para com Deus, transgredindo suas Leis, deixando de praticar o Amor e a Caridade, entregando-se ao orgulho, ao egoísmo, à inveja – vícios que não chegam a perceber no fundo de seus coração, tão grande é a sua cegueira, tanta a confiança que depositam em si mesmos. JEJUAI, MORTIFICANDO VOSSAS ALMAS, PARA QUE ELAS SE PURIFIQUEM. BOM É O JEJUM – MAS O JEJUM MORAL, PORQUE É SEMPRE ÚTIL À ALMA CULPADA, EXPURGANDO-A DE SUAS IMPUREZAS.
"VOCAÇÃO DE MATEUS"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur
Efetivamente, Jesus provou, assim, que NÃO SE DEVE REPELIR OS QUE PAREÇAM INDIGNOS: onde não vedes senão fraudes ou impurezas, pode o Senhor ter colocado um germe de virtude que a cultura fará frutificar. Sede, pois, indulgentes para com vossos irmãos. Estendei mão protetora aos fracos; esforçai-vos por exaltar os aviltados; imitai, finalmente, o Divino Modelo, procurando os doentes e tudo fazendo para os curar. Mateus, que Jesus foi buscar entre os publicanos, era um Espírito elevado, que encarnara com a missão de auxiliar o Mestre, na obra que ele veio executar na Terra. Inspirado pelo seu Anjo Guardião e pelos Espíritos Superiores que o cercavam, obedeceu no mesmo instante ao chamamento do Cristo, e o seguiu. E, OFERECENDO AO MESTRE O GRANDE FESTIM DE QUE FALAM OS EVANGELISTAS, LHE PROPORCIONOU, COMO DEVIA SUCEDER, OPORTUNIDADE E MEIO DE DAR AQUELA LIÇÃO ETERNA. Tudo tinha sido previamente preparado: tudo se cumpria, por ordem do Senhor, sob a inspiração, a influência e ação ocultas dos Espíritos Superiores, obedientes à vontade do Mestre. Como discípulo do Cristo, Levi, filho de Alfeu, adotou como Apóstolo o nome de Mateus; mas por Levi é que era geralmente conhecido. “Não são os que têm saúde que precisam de médico – afirmou Jesus - e sim os doentes”. E acrescentou: “Não vim em busca dos justos, mas dos pecadores”. Assim como aquele que goza saúde não precisa de médico, aquele que obedece conscientemente à Lei de Deus não precisa ser salvo: ELE SE SALVA POR SI MESMO. O Cristo chamava a si os que tinham reparações a fazer. Se convidava ao arrependimento, o seu convite só podia ser feito aos que tinham falido. “Ide, pois, (disse a todos) aprender o que significam estas palavras: MISERICÓRDIA QUERO, NÃO HOLOCAUSTO”. As palavras do profeta Oséias (VI: 6) com referência ao Senhor: “O que eu quero é a misericórdia, não o sacrifício, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos”, devem ser confrontadas com estas outras do profeta Samuel (Primeiro Livro dos Reis, II: 6-10): “O Senhor dá e tira a vida; leva à habitação dos mortos e dela retira. É o Senhor quem enriquece e empobrece; quem exalta e quem humilha. Levanta o pobre do pó, e do esterco levanta o indigente para sentar-se com os príncipes e ocupar um trono de glória. Porque do Senhor são os pólos da Terra, e sobre eles pôs o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, e os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não será forte na sua robustez. Tremerão diante do Senhor os seus inimigos, e dos céus trovejará sobre eles. O Senhor julgará as extremidades da Terra, e dará o império ao seu rei, exaltando a glória do seu Cristo”. São a origem divina das palavras do Salvador: “Misericórdia quero, não holocausto”. A Nova Revelação vem ensinar o seu significado. Vimos, em nome do Mestre, dizer a todos vós: SEJAM QUAIS FOREM AS FALTAS E OS CRIMES COMETIDOS, HAVENDO ARREPENDIMENTO, NÃO HAVERÁ – PARA O ESPÍRITO CULPADO – SACRIFÍCIO, ISTO É, PENAS ETERNAS. HAVERÁ, AO CONTRÁRIO, MISERICÓRDIA, O QUE QUER DIZER – PERDÃO, subordinado este apenas, conforme à bondade e à justiça infinitas de Deus e com o duplo fim de aperfeiçoamento moral e progresso, às duas únicas e inevitáveis condições seguintes: expiar o culpado, na erraticidade, após a morte, as faltas e crimes praticados, mediante sofrimentos morais apropriados, por meio da reencarnação e de novas provações. Sim, ONDE QUER QUE HAJA ARREPENDIMENTO, HAVERÁ PERDÃO. Jesus, portanto, queria a misericórdia, despertando no homem o remorso da falta ou do crime e o desejo da reparação: A REPARAÇÃO É A CONSEQÜÊNCIA DO ARREPENDIMENTO. Convidando ao arrependimento, Jesus facilitava a expiação e, assim, salvava aqueles que, de outro modo, estacionariam longo tempo na impenitência.