"VOCAÇÃO DE MATEUS"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur
Efetivamente, Jesus provou, assim, que NÃO SE DEVE REPELIR OS QUE PAREÇAM INDIGNOS: onde não vedes senão fraudes ou impurezas, pode o Senhor ter colocado um germe de virtude que a cultura fará frutificar. Sede, pois, indulgentes para com vossos irmãos. Estendei mão protetora aos fracos; esforçai-vos por exaltar os aviltados; imitai, finalmente, o Divino Modelo, procurando os doentes e tudo fazendo para os curar. Mateus, que Jesus foi buscar entre os publicanos, era um Espírito elevado, que encarnara com a missão de auxiliar o Mestre, na obra que ele veio executar na Terra. Inspirado pelo seu Anjo Guardião e pelos Espíritos Superiores que o cercavam, obedeceu no mesmo instante ao chamamento do Cristo, e o seguiu. E, OFERECENDO AO MESTRE O GRANDE FESTIM DE QUE FALAM OS EVANGELISTAS, LHE PROPORCIONOU, COMO DEVIA SUCEDER, OPORTUNIDADE E MEIO DE DAR AQUELA LIÇÃO ETERNA. Tudo tinha sido previamente preparado: tudo se cumpria, por ordem do Senhor, sob a inspiração, a influência e ação ocultas dos Espíritos Superiores, obedientes à vontade do Mestre. Como discípulo do Cristo, Levi, filho de Alfeu, adotou como Apóstolo o nome de Mateus; mas por Levi é que era geralmente conhecido. “Não são os que têm saúde que precisam de médico – afirmou Jesus - e sim os doentes”. E acrescentou: “Não vim em busca dos justos, mas dos pecadores”. Assim como aquele que goza saúde não precisa de médico, aquele que obedece conscientemente à Lei de Deus não precisa ser salvo: ELE SE SALVA POR SI MESMO. O Cristo chamava a si os que tinham reparações a fazer. Se convidava ao arrependimento, o seu convite só podia ser feito aos que tinham falido. “Ide, pois, (disse a todos) aprender o que significam estas palavras: MISERICÓRDIA QUERO, NÃO HOLOCAUSTO”. As palavras do profeta Oséias (VI: 6) com referência ao Senhor: “O que eu quero é a misericórdia, não o sacrifício, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos”, devem ser confrontadas com estas outras do profeta Samuel (Primeiro Livro dos Reis, II: 6-10): “O Senhor dá e tira a vida; leva à habitação dos mortos e dela retira. É o Senhor quem enriquece e empobrece; quem exalta e quem humilha. Levanta o pobre do pó, e do esterco levanta o indigente para sentar-se com os príncipes e ocupar um trono de glória. Porque do Senhor são os pólos da Terra, e sobre eles pôs o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, e os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não será forte na sua robustez. Tremerão diante do Senhor os seus inimigos, e dos céus trovejará sobre eles. O Senhor julgará as extremidades da Terra, e dará o império ao seu rei, exaltando a glória do seu Cristo”. São a origem divina das palavras do Salvador: “Misericórdia quero, não holocausto”. A Nova Revelação vem ensinar o seu significado. Vimos, em nome do Mestre, dizer a todos vós: SEJAM QUAIS FOREM AS FALTAS E OS CRIMES COMETIDOS, HAVENDO ARREPENDIMENTO, NÃO HAVERÁ – PARA O ESPÍRITO CULPADO – SACRIFÍCIO, ISTO É, PENAS ETERNAS. HAVERÁ, AO CONTRÁRIO, MISERICÓRDIA, O QUE QUER DIZER – PERDÃO, subordinado este apenas, conforme à bondade e à justiça infinitas de Deus e com o duplo fim de aperfeiçoamento moral e progresso, às duas únicas e inevitáveis condições seguintes: expiar o culpado, na erraticidade, após a morte, as faltas e crimes praticados, mediante sofrimentos morais apropriados, por meio da reencarnação e de novas provações. Sim, ONDE QUER QUE HAJA ARREPENDIMENTO, HAVERÁ PERDÃO. Jesus, portanto, queria a misericórdia, despertando no homem o remorso da falta ou do crime e o desejo da reparação: A REPARAÇÃO É A CONSEQÜÊNCIA DO ARREPENDIMENTO. Convidando ao arrependimento, Jesus facilitava a expiação e, assim, salvava aqueles que, de outro modo, estacionariam longo tempo na impenitência.






"LEVANTA-TE E CAMINHA"
Espírito da Verdade - Alziro Zarur
Jesus curou o paralítico pelos mesmos processos de que usou para com o servo do centurião. Operando
aquela cura material, que os escribas, os fariseus e a multidão consideraram um “milagre” (assim como proferindo as palavras que dirigiu aos mesmos escribas e fariseus, cujos pensamentos LEU, POR SER SEMPRE ESPÍRITO, embora figuradamente encarnado num corpo perispirítico, na aparência da corporeidade humana), Jesus teve por fim, no momento, dar a ver aos homens que AQUELE QUE DISPUNHA DE TAL PODER ESTAVA ACIMA DE QUALQUER INTELIGÊNCIA, E FORÇA-LOS A CURVAR A FRONTE DIANTE DA AUTORIDADE DIVINA. E DIZ O Evangelho: “Vendo isso, a multidão se encheu de espanto e glorificou a Deus por haver dado tal poder ao homem”. A multidão, os escribas e os fariseus consideravam então Jesus, como sabeis, UM HOMEM IGUAL AOS OUTROS. Essas palavras, inspiradas à multidão e reproduzidas por Mateus sob a influência mediúnica, TINHAM UM FIM OCULTO, QUE SÓ MAIS TARDE, POR MEIO DE NOVA REVELAÇÃO, SE TORNARIA PATENTE: O DE PREPARAR OS HOMENS A COMPREENDEREM QUE – QUANDO TIVERAM ATINGIDO OS LIMITES EXTREMOS DA PERFEIÇÃO QUE PODEM CONSEGUIR NA TERRA – TAMBÉM LHES SERÁ FACULTADO FAZER COISAS COMO AQUELAS, TIDAS NA CONTA DE MILAGROSAS, MAS NA VERDADE NATURAIS.
"NA TERRA DOS GERASENOS - V
Espírito da Verdade - Alziro Zarur

QUEM, MAIS QUE JESUS, AMA E PROTEGE OS ANIMAIS? O Pai Eterno lhe conferiu todos os poderes, inclusive dar a vida e retirá-la, sempre em benefício das suas criaturas. Porventura vamos acreditar que a vida acaba na morte? Pois esse sacrifício resultou na evolução dos porcos, dentro da escala animal: eles contribuíram para a salvação de um homem. Não esqueçais, ainda, que os animais também têm de reparar suas faltas, conforme a Lei que rege a vida planetária. Não deu o Mestre A SUA PRÓPRIA VIDA PELA SALVAÇÃO DE TODOS? Só ao Cristo compete saber a verdade sobre a “inocência” de todos os seres da Criação Divina. Permitindo aos Espíritos impuros que entrassem nos porcos, Jesus lhes permitia permanecer nas regiões habitadas pelos homens, circunvolvendo a humanidade, isto é, lhes consentia aproximar-se desta e ficar em contato com ela. Tal permissão lhes foi concedida para que, junto, assim dos que a título de provação ou de expiação viriam a ser vítimas das suas obsessões e subjugações. COMO DOS QUE SE INTERESSASSEM POR ESSAS VÍTIMAS, pudessem eles receber o benefício das preces e encontrar os meios de reflexão e encaminhamento moral. ELA LHES FOI CONCEDIDA SOBRETUDO, PARA ENSINAMENTO DOS HOMENS, porquanto aqueles Espíritos não permaneceram inativos, e foram repelidos e doutrinados pelos discípulos do Cristo. O subjugado por aquela multidão de maus Espíritos - quando, sob o peso da subjugação corporal e espiritual, tinha acessos violentos de fúria – ficava num estado aparente (mas que para os homens era real) de loucura furiosa ou alienação das faculdades mentais. Tornava-se incapaz de ter conhecimento de seus atos. Perdia a consciência do seu ser. Nos momentos, porém, de menor violência, quando a calma se restabelecia, no sentido de estar diminuída a sua sobreexcitação, TORNAVA-SE CONSCIENTE DO SEU ESTADO, DO CONSTRANGIMENTO A QUE ESTAVA SUBMETIDO, E COM ISSO ELE SOFRIA HORRIVELMENTE, QUER DIZER: NÃO ERA NENHUM INOCENTE, E AÍ ESTAVA A PUNIÇÃO DOS CRIMES QUE COMETERA EM EXISTÊNCIA ANTERIOR. Logo que os demônios saíram dele, isto é, logo que ficou livre da subjugação, recobrou, como observais em vosso meio, o uso pleno da razão a liberdade do corpo e do Espírito. A multidão que acorreu da cidade e dos campos, mal teve conhecimento do que se passara pelos fugitivos guardadores dos porcos, encontrou o homem sentado aos pés de Jesus, vestido e de juízo perfeito. Estava vestido porque os discípulos o cobriram, tirando algumas peças de suas próprias vestes. Uma vez liberto, ele se submeteu alegremente aos costumes humanos. “E de juízo perfeito, fato que os encheu de pavor”. Aquele que, até então, ninguém podia conter, ali estava aos pés do Mestre, calmo e submisso. Tal submissão bastava para impressionar o povo. A cessação dos sinais e manifestações de uma demência furiosa (no entender dos homens), traduzindo-se em atos violentos, desconexos, bizarros, em desordens e aberrações da palavra, os quais desapareceram todos com a subjugação, cedendo lugar à razão integral, à liberdade do corpo e do espírito, FOI QUALIFICADA DE MILAGROSA POR NÃO SER COMPREENSÍVEL NEM EXPLICÁVEL. Não negue a incredulidade atual, filha orgulhosa da ignorância, estes fatos autênticos, que os Evangelistas vos transmitiram. Não os negue nem zombe deles, para o seu próprio Bem! Estude a ciência espírita, aprenda, observe, SEM IDÉIAS PRECONCEBIDAS, COM HUMILDADE E A NECESSÁRIA PERSEVERANÇA, E CERTAMENTE ACREDITARÁ, PORQUE TERÁ COMPREENDIDO. O homem tem sob as vistas a revelação e a manifestação dos poderes do Espírito; ainda efeitos físicos, que se produziram em todos os tempos e se produzem hoje, sob todas as formas, no ser humano e em tudo o que o cerca. Tem sob as vistas a revelação e a manifestação das faculdades dos Espíritos Superiores, ministros da Vontade de Deus, da sua Providência e da sua Justiça; do poder que eles exercem sobre os fluidos, visando à aplicação e à execução das Leis Naturais e Imutáveis, que regem a vida e a harmonia universais. Tem sob as vistas a revelação e a manifestação do poder dos Espíritos Superiores sobre os fluidos, pelos efeitos formidáveis e terríveis a que dais o nome de flagelos; pelo estalar do raio que derriba edifícios, fende um carvalho secular, e tantas vezes causa a morte; pelo furacão que arranca árvores e destroça habitações; pelas inundações que assolam, destroem e arrastam consigo tudo quanto encontram na sua passagem; pela tempestade que arroja os navios de encontro aos arrecifes, onde se despedaçam e são tragados pelo mar. Depois de meditar em tudo isso, cada um dos zombeteiros poderá entender o caso emocionante do geraseno. O homem, vendo-se livre dos seus obsessores, rogou a Jesus lhe permitisse acompanhá-lo. Jesus, porém, recusou, dizendo: “Volta para tua casa e conta aos teus o que senhor fez por ti”. E ele se foi embora, dando público testemunho do que Jesus fizera em seu benefício. Era seu destino preparar os caminhos para o advento do Senhor. Jesus realizara um “milagre”, que numerosas pessoas podiam testemunhar. Por isso mesmo, não ordenou ao geraseno que se calasse: ao contrário, o concitou a espalhar a notícia do fato, AO PASSO QUE EM OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS IMPUNHA SILÊNCIO A TANTOS QUE CURARA.  É que nestes casos, não tendo tido o fato grande publicidade, poderia ser contestado. Deixava, então, que se espalhasse por si mesmo, sob a aparência de mistério. Entendei: o geraseno podia e devia testemunhar a sua própria cura: mas não estava preparado para PREGAR E TESTEMUNHAR A PALAVRA DE DEUS.



"NA TERRA DOS GERASENOS - IV"
(Espírito da Verdade - Alziro Zarur)
Quando, pelo órgão do subjugado geraseno, pediram a Jesus: “MANDA-NOS PARA AQUELES PORCOS, A FIM DE QUE ENTREMOS NELES”, os Espíritos impuros se achavam dominados e governados pelos Espíritos Superiores. Estes é que os impeliam a exprimir-se desse modo. Logo que Jesus lhes concedeu a permissão solicitada, ELES SE ACERCARAM DOS PORCOS, os espantaram por meio de uma aparição só visível para os mesmos porcos, e os impeliram na direção do lago, a fim de que ali se precipitassem, perseguindo-os com aquela aparição, que revestia uma forma e fazia gestos e ameaças de natureza a aterroriza-los. Para lhes infundir esse terror, os Espíritos impuros não se serviram da forma humana. O ESPÍRITO, COMO SABEIS, PODE TOMAR A FORMA, A APARÊNCIA QUE JULGUE NECESSÁRIA À OBTENÇÃO DO RESULTADO QUE DESEJE. Para causar terror, muitas vezes, o Espírito inferior reveste a forma, a aparência de um animal perigoso e INIMIGO DO QUE ELE QUER APAVORAR. Foi o que se deu com os que assombraram os porcos e os fizeram precipitar-se no lago. Dissemos que a aparição só era visível aos porcos: SE ASSIM NÃO FOSSE, O POVO NÃO TERIA ACREDITADO QUE OS ESPÍRITOS “IMUNDOS” ENTRARAM NESSES ANIMAIS. Um médium vidente que estivesse entre a multidão não teria – embora fosse esta à vontade dos obsessores – podido vê-los sob a forma, a aparência que tomaram, porquanto à vontade desses Espíritos nenhum poder tinha para o conseguir. ELES SE MOSTRARAM AOS PORCOS PORQUE A ISSO HAVIAM SIDO AUTORIZADOS, MAS NÃO LHES ERA LÍCITO IR ALÉM. Tudo se realizava segundo à vontade do Mestre, objetivando o resultado que ele queria alcançar. O fato de serem os Espíritos impuros visíveis aos porcos, quando não o eram para o povo, não vos deve causar mais admiração do que este: lado a lado dois médiuns videntes, somente um ver o Espírito que se manifesta! NESSE CASO, A VONTADE DO ESPÍRITO INTERVÉM. Quanto aos animais, a visão para eles se produz exclusivamente pela vontade do Espírito, porque a combinação dos fluidos entre o Espírito e o animal (como o dissemos) é impossível, ao passo que – para se tornar visível ao médium vidente – o Espírito opera por ato de sua vontade e exerce sobre o médium uma ação fluídica. Repetimos: não admitais NUNCA a possibilidade de uma união (embora momentânea) entre o Espírito e o animal. NÃO HÁ SUBJUGAÇÃO CORPORAL DESTE POR AQUELE E AINDA MENOS POSSESSÃO, SUBSTITUIÇÃO. Há, apenas, subjugação moral, no sentido de que o espírito consegue espantar o animal, enchê-lo de pavor, obrigá-lo a atos extravagantes, que podeis considerar materiais, mas que nem por isso deixam de tocar a inteligência relativa daquele que a sofre. A VONTADE DO OBSESSOR BASTA POR SI SÓ PARA TORNAR VIDENTE O ANIMAL, pela razão de que o Espírito deste é mais apto que o vosso a ter a faculdade da vidência e ainda porque à vontade do Espírito, por mais inferior que ele seja, domina sempre o Espírito animal, a menos que a isso se oponha um Espírito Superior. Não se conclua daí que o animal vidente seja médium. Não o é na acepção exata da palavra, pois não pode, em caso algum, servir de intermediário ao Espírito para se manifestar ao homem. O animal goza de uma faculdade que lhe é peculiar: é apenas vidente, não médium. ENTRETANTO, EM CERTOS CASOS AO ALCANCE DA VOSSA PERCEPÇÃO, A FACULDADE DE VER, QUE O ANIMAL POSSUI, PODE SERVIR – ESPECIALMENTE PELO TERROR QUE DELE SE APODERA – PARA, DA PRESENÇA DO OBSESSOR, PREVENIR O HOMEM, QUANDO NÃO EXISTE NENHUMA COISA MATERIAL, VISÍVEL OU TANGÍVEL, PARA ESSE MESMO HOMEM, CAPAZ DE JUSTIFICAR SEMELHANTE TERROR.




"NA TERRA DOS GERASENOS - III"
(Espírito da Verdade - Alziro Zarur)
Obedecendo às ordens do Alto, os Espíritos do Senhor lhes fizeram ver o futuro e os esplendores de Jesus, em quem reconheceram – não um homem – mas UM ESPÍRITO MAIS PURO DO QUE OS MAIS PUROS QUE O CERCAVAM. E, com efeito, perguntando ao Cristo se viera para os atormentar antes do tempo, aludiam à época em que o conhecimento, que o homem teria de adquirir, das causas e efeitos da subjugação, o poria em condições de se escudar contra ela. Por instantes, a presciência lhes foi concedida, e eles entreviram, de relance, o estabelecimento do Reino de Deus na Terra e sua mão potente a espalhar a Luz por sobre os homens, como o Sol espalha seus raios sobre o vosso mundo, nos belos dias estivais. A consciência que assim tiveram do porvir aqueles obsessores do geraseno não durou mais que um momento: logo se apagou. Foi como um raio de luz que brilha em meio às trevas e, no mesmo instante, some, deixando de novo que as trevas se tornem espessas. O pedido que dirigiram ao Mestre, para que não os expulsasse daquele país, era motivado pela preferência que certos Espíritos conservam por certos lugares onde viveram, quer na última encarnação, quer em outra anterior, que lhes deixou vago sentimento de apego a tais sítios. Usando da faculdade de médium falante do subjugado, e servindo-se do seu órgão vocal, os mesmos Espíritos pediam a Jesus que não os mandasse para o ABISMO: esta locução era alegórica e de natureza a impressionar a multidão. Ora, ABISMO é a imensidade para os Espíritos impuros, com uma significação precisa – a imensidade onde o Espírito criminoso erra, isolado, condenado às trevas e às angústias causticantes do remorso. Equivale ao abismo que a vossa imaginação representa como sendo uma fornalha ardente, a devorar carnes fictícias, sem jamais as consumir. Os maus Espíritos, os chamados “demônios”, suplicavam sinceramente que Jesus não os condenasse a esse estado de insulamento, que, por assim dizer, mata moralmente o Espírito culpado, MAS COM O FIM DE O MELHORAR, LEVANDO-O AO MAIS COMPLETO ARREPENDIMENTO. O Espírito condenado às trevas e às angústias do remorso não sai do Espaço, e é no próprio Espaço que se faz o insulamento, pela vontade do Senhor. O culpado pode ser (e é, muitas vezes) condenado a uma prisão celular, de que o homem não consegue formar ideia. Pode ser condenado, por bem dizer, a HABITAR NO TEATRO DE SEUS CRIMES, como igualmente pode ser constrangido a permanecer num total insulamento, sem a possibilidade de praticar um ato de sua vontade, nem movimento algum, sem contato com qualquer outro Espírito, e cercado de espessas trevas que, sobre a sua organização, isto é, sobre o seu Espírito e o seu perispírito, produzem o efeito que uma atmosfera pesada e empestada produziria num homem todo amarrado. Em suma, a expiação é, como sabeis, sempre apropriada e proporcional aos crimes e faltas cometidos: obedece sempre às condições necessárias a incutir no culpado o remorso, a lhe despertar a consciência, a desenvolver nele, cada vez mais, as angústias que o preparam e levam ao arrependimento. Mas atendei: NENHUM ESPÍRITO É CONDENADO A SERVIR DE CARRASCO A SEU IRMÃO, POR MAIS CULPADO QUE ESTE SEJA. TODAS AS VISÕES DO CRIMINOSO SE PRODUZEM PELA AÇÃO DE UMA VONTADE PODEROSA, QUE O CONDENA A VER O QUE DEVIA TER DIANTE DOS OLHOS, ATÉ AO INSTANTE DO ARREPENDIMENTO. É um efeito de combinação de fluidos, resultante do magnetismo espiritual, da qual ficareis inteirados quando houverdes avançado bastante, para dar começo ao trabalho que queremos que seja feito pelo médium sobre os fluidos e suas propriedades. Ainda que pouco desenvolvido e precisando muito desenvolver-se, o progresso já realizado pelo magnetismo humano vos permite fazer idéia do que é capaz de conseguir A VONTADE PODEROSA DO ESPÍRITO SUPERIOR, NO TOCANTE AOS EFEITOS FLUÍDICOS. Como todos sabeis, o magnetizador pode – por ato de sua vontade e pela ação dos fluidos magnéticos – atuar sobre o seu paciente, achando-se este no estado sonambúlico, de maneira a lhe dar, do que não passa de mera ficção, A IMPRESSÃO DE UM FATO REAL, e faze-lo acreditar e ver o que queira que ele veja e acredite, MESMO DEPOIS DO DESPERTAR. Assim, deveis compreender qual seja o poder do Espírito Superior relativamente às visões do criminoso e como aquele, com o auxílio do MAGNETISMO ESPIRITUAL, por ato da sua poderosa vontade, tirando das combinações fluídicas os desejados efeitos, consiga produzir tais visões, A FIM DE QUE O CULPADO VEJA O QUE ESTÁ CONDENADO A VER E TENHA, DO QUE NÃO PASSA DE FICÇÃO, A IMPRESSÃO DA REALIDADE.





"NA TERRA DOS GERASENOS - II"
(Espírito da Verdade - Alziro Zarur)


Sobre o homem subjugado a influência do obsessor é, como sabeis, fluídica. Sobre os animais, não pode ser e não é senão moral, no sentido de que a ação consiste em produzir neles o espanto ou o terror. O perispírito do Espírito não pode atuar fluidicamente sobre os animais, POR SER IMPOSSÍVEL A COMBINAÇÃO DOS RESPECTIVOS FLUIDOS, UMA VEZ QUE OS PRINCÍPIOS NÃO SÃO IDÊNTICOS. Para poder compreender as causas daquele fenômeno, o homem tem de se entregar a estudos preparatórios sobre a natureza dos fluidos, seus efeitos, suas propriedades de ação, segundo as Leis Naturais que lhes regem o emprego, a aplicação e a disposição em cada reino da Natureza. Ora, bem sabeis, SE DEUS QUER QUE VOS AJUDEMOS, QUER TAMBÉM QUE TRABALHEIS, ESTUDANDO SEMPRE. Não podeis estranhar que, dirigindo-se ao obsessor chamado “multidão”, por serem muitos, Jesus tenha ordenado: “Sai desse homem!”, nem que tenha permitido aos Espíritos impuros entrarem nos porcos. É que não chegara o momento, ainda distante, de serem explicados as causas e os efeitos da subjugação, quer corporal e espiritual, assim como da ação dominadora que os Espíritos podem exercer sobre os animais, e se fazia mister na ocasião usar, para com os homens, de uma linguagem adequada ao seu entendimento e às idéias em voga. Estava reservado ao Espiritismo dar aquelas explicações, em Espírito e Verdade. Não vos detenhais em apreciar a acusação, tão pueril quanto fútil, que dirigem a Jesus, por ter – segundo dizem – causado um prejuízo ao dono da vara de porcos. TAL ACUSAÇÃO SÓ PODE PROVIR DE HOMENS MATERIAIS, QUE NÃO COMPREENDEM O SENTIDO, O ALCANCE E O FIM DO ENSINAMENTO, QUE, POR AQUELA FORMA, JESUS QUIS DAR E DEU, QUE VALE UM INTERESSE MATERIAL, QUANDO SE TRATA DE SALVAR OS HOMENS? Mas ficais tranqüilos vós que, apesar das vossas boas intenções, não vos podeis libertar do jugo da matéria. Os porcos pertenciam a ricos proprietários, para os quais o prejuízo foi ligeiro, insignificante, tanto que os guardadores nem sequer foram repreendidos, tão grande repercussão teve aquele fato como resultante da vontade do Cristo. Nunca o Senhor comete uma injustiça: tudo passa pelo crivo da sua onisciência; tudo tem um fim, que há de ser alcançado, para a felicidade dos homens. Não deis atenção, também, à diferença, destituída de importância, sem nenhum valor, sem influência alguma nos fatos e no ensinamento, na lição que deles devia decorrer, entre a narração de Mateus e as de Marcos e Lucas, consistindo em dizer o primeiro que dois eram os possessos e os outros que o possesso era um só. Havia apenas um subjugado. FOI PARA QUE SE REALIZASSE A OBRA, QUE O MESTRE DEVIA REALIZAR, QUE O “POSSESSO DO DEMÔNIO” VEIO AO SEU ENCONTRO SOB A INFLUÊNCIA E PELA AÇÃO DOS OBSESSORES, QUE A SEU TURNO OBEDECIAM A VONTADE DE JESUS. Tudo o que, segundo se vos diz, esse homem fazia, subjugado corporal e espiritualmente pela multidão dos maus Espíritos, era efeito da mesma subjugação. Ele se achava à mercê dos caprichos de seus obsessores, e a subjugação lhe servia, ao mesmo tempo, de provação e expiação: aquele que necessita de provações, na Terra, tem sempre o que expiar. AS PROVAÇÕES E AS EXPIAÇÕES SE COMPLETAM, À LUZ DA JUSTIÇA DIVINA. O obsidiado era, inconscientemente, médium de efeitos físicos, e os obsessores procediam de acordo, pela subjugação corporal e espiritual e pelos meios que já explicamos, servindo-se dos fluidos animalizados da vítima, INDEPENDENTEMENTE DA VONTADE DESTA.Quando se apresentou a Jesus não trazia roupa alguma: despira-se completamente. Não é que os obsessores lhe houvessem, com violência, tirado as vestes: apenas lhe haviam inspirado horror a todo e qualquer constrangimento. Assim ele não podia nem queria suportar vestuário algum, sujeito como estava aos caprichos dos “demônios”. Referem os Evangelhos Sinóticos: “Não habitava em casas; passava os dias e as noites nas montanhas e nos sepulcros, gritando e ferindo-se nas pedras; estivera muitas vezes com ferro aos pés e preso pelas correntes; rebentava as correntes e os ferros”. Tudo isso era efeito da maldade dos obsessores, quase dois mil. Como médium de efeitos físicos, mas inconsciente, O SUBJUGADO PRATICAVA POR SI MESMO, NA OPINIÃO DOS HOMENS, AQUELES ATOS. A VERDADE, PORÉM, É QUE OS MAUS ESPÍRITOS, COM FORÇA BASTANTE PARA ISSO, ATUAVAM DE COMUM ACORDO SOBRE ELE PARA OBRIGÁ-LO A PRATICAR TAIS ATOS, GRAÇAS A SUA MEDIUNIDADE, EXERCENDO COM SEUS PERISPÍRITOS UMA AÇÃO FLUÍDICA, SOBRE A VÍTIMA, DOMINANDO-LHE A VONTADE, QUE ARBITRARIAMENTE GOVERNAVAM. “Quebrava as cadeias e os ferros, por mais que o vigiassem; ninguém mais podia prendê-lo; nenhum homem conseguia dominá-lo”. Como bem podeis compreender, os obsessores se divertiam em impedir que os guardas lhe pusessem peias, ou – se deixavam que o fizessem – era com o intuito de quebrarem os ferros e as correntes. Para conseguir tal resultado, o homem fazia os movimentos, MAS OS “DEMÔNIOS” É QUE LHE EMPRESTAVAM A FORÇA NECESSÁRIA, EXERCENDO SOBRE ELE VIOLENTA AÇÃO FLUÍDICA, COMBINANDO OS FLUIDOS DE SEUS PERISPÍRITOS COM OS DO POBRE GERASENO. “Era impelido pelo demônio para o deserto”. Em algumas traduções, oriundas de uma falsa interpretação da letra e do espírito do texto original, se diz que o homem era “arrebatado pelo demônio”. Colocando-vos no ponto de vista dessas traduções, tomai a palavra “arrebatado” em sentido figurado e a tereis significando “impelido violentamente, contra a vontade”. Também usais, muitas vezes, referindo a carreira desabalada de uma pessoa, que ela é “arrebatada pelo vento”. Tendo em vista esse fato, podeis recordar o episódio conhecido como “O Duende de Baiona” um Espírito a transportar a irmã pelos ares. No caso do geraseno, entretanto, nada se deu de semelhante. Havia apenas uma corrida desordenada, que apavorava os que a presenciavam. Por tudo isso é que, subjugado corporal e espiritualmente pelos obsessores, os quais por sua vez eram, no momento, dominados e dirigidos pelos Espíritos Superiores, aquele homem (tão furioso que ninguém ousava passar perto dele, saindo dos sepulcros) correu ao encontro de Jesus, o adorou e, como médium falante, proclamou em altas vozes, diante do povo, ser Jesus “O filho de Deus”. EXPRIMINDO-SE DESSE MODO, PELO ÓRGÃO DO SUBJUGADO, OS MAUS ESPÍRITOS PROVAVAM A IDENTIDADE DO CRISTO.
"NA TERRA DOS GERASENOS - I"
(Espírito da Verdade - Alziro Zarur)
A homens materiais são necessários ensinamentos de feição material, SABEIS QUE HORROR TINHAM OS JUDEUS AO PORCO, "ANIMAL IMUNDO" NO DIZER DAS ORDENAÇÕES DE MOISÉS. E aqui são quase 2.000 porcos, verdadeira multidão (legião seriam 6.000). Querendo dar a entender aos homens até que ponto eram perigosos e repelentes os obsessores, Jesus permitiu que os que atuavam desde tanto tempo, de modo tão violento e cruel, quanto extraordinário aos olhos humanos, sobre aquele "demoníaco", isto é, sobre o geraseno que traziam subjugado, assombrassem os porcos que ali perto pastavam. Os homens, crentes de que os Espíritos, abandonando o possesso, entraram nos porcos, compreenderam melhor O DESPREZO QUE LHES DEVIAM INSPIRAR TÃO PERIGOSAS INSTIGAÇÕES, A QUE PODIAM ESTAR SUJEITOS TODOS AQUELES QUE NÃO TRILHAM O CAMINHO QUE LEVA A SALVAÇÃO. Observai que os obsessores se satisfizeram com o espantar os porcos. Evidentemente, não foram habitar neles. Assim como o subjugador não habita no subjugado - limitando-se a influenciá-lo por meio de uma ação fluídica, permanecendo a seu lado e atuando moralmente sobre ele - também os Espíritos impuros (que, obedecendo à vontade de Jesus, se colo¬caram na sua passagem, PARA SERVIREM DE INSTRUMENTO A LIÇÃO QUE ELE DESEJAVA DAR), se acercaram dos porcos e os espantaram, impelindo-os a se precipitarem no lago. Não admitais nunca a união, embora momentânea, entre o Espírito e o animal, isto é, a subjugação corporal deste por aquele, nem - ainda menos - a substituição ou a possessão. Já vos explicamos os meios por que se opera, as condições a que obedece e os efei¬tos que produz a subjugação, quer corporal, quer corporal e espiritual, bem como a possessão ou a substituição. Não temos, portanto de voltar a esse assunto.